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Mostrando postagens de Março, 2018

17 de março, 17h41

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Confesso que não tenho medo da morte. Penso nela como nessas noites de sono profundo, fechar os olhos e lá fui eu. Aliás, pra que ter medo? Sempre me lembro do vampiro Nosferatu, e sua dolorosa busca pela finitude. Somente assim a vida fica completa, começar e fechar um ciclo.
Mas vendo a barbárie que se instala nas redes sociais nessas centenas de comentários humilhantes sobre a morte de Marielle, mulher, negra, militante me deixa atordoado. Sujeitos se refestelando na sua queda e sem perceberem - claro, o ódio ideológico os consome - que junto com ela estamos todos nós.

Ontem à noite me veio à lembrança antigos dias de magia numa sala de aula, daqueles adolescentes me perguntando: "como assim, é da natureza do homem a liberdade?" Pausava a voz e lhes explicava que todos os seres humanos, ao nascerem, trazem consigo o direito à liberdade. É nato ao Homem e somos livres. Não pode existir uma lei feita por outros nos "dando" esses direitos. Caso fosse, também existirã…

Infarinato e fritto

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Era o final da década de 60 e o meu pai trabalhava na Rigesa. Naquele momento a fábrica ainda não dispunha de restaurante para seus funcionários. Ou almoçavam nas suas marmitas levadas das suas casas ou, aqueles que moravam nos bairros operários que circundavam a fábrica, nas suas moradias. E esse era o caso do meu pai, pois morávamos ali no bairro Serrote, em Valinhos.
Pontualmente às 11h o apito da fábrica desesperava-se e todos, a passos largos, iam até a “chapeira” na portaria bater o ponto. Uns voltavam a passos mais largos ainda para pegarem suas matulas. Outros tinham o privilégio das suas casas e da família, naquele instante sagrado.
Minha mãe começava cedo a labuta. Por volta das 5h da manhã ela acordava e ia até a Padaria do Valentim, ou comprava uma bengala ou um filão de pão, leite e preparava o café da manhã. Café tomado e o meu pai pegava o rumo da fábrica, e minha mãe nos afazeres diários da casa. Por volta das 9h45 começava preparar o almoço e quando faltavam uns 5 minut…

O eu plural

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Eu não sou oposição, sou cidadão e reivindico a cidadania. Se existe o desejo, portanto, ela também pode sair do plano individual para se tornar coletiva. Afinal vivemos numa sociedade onde nossos direitos, em tese, são garantidos pela nossa Constituição de 1988: alimentação, saúde, educação, cultura, emprego, moradia, segurança, etc. E para atingirmos esse direito individual ou coletivo não podemos passar a nossa existência cidadã dizendo apenas “améns” aos governantes, que muitas vezes nos retiram direitos e conquistas, cerceando nossa cidadania. 
Durante longos anos que atuei como professor foi comum ouvir de alguns pares que “todos falam em direitos, mas se esquecem dos deveres”. Uma pena! Afinal, o que muitos não sabiam é que “direitos e deveres” nasceram entrelaçados, um é a complementação do outro. Sempre pensei que nessa afirmação residia a vontade de inibir o outro na sua reivindicação, uma espécie de castigo, desses que muitos se ressentem de saudade dos tempos mais duros da…