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Mostrando postagens de 2017

Falta gente nessa história

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Durante anos ouvimos que a Carta de Pero Vaz de Caminha é a certidão de nascimento do Brasil. E Pedro Alvares Cabral, nosso pai. Assim fomos educados nessas narrativas que deram o tom da nossa história. Personagens “importantes”, datas e seus grandes feitos. E olhando para a escrita da história valinhense encontramos similaridade com essa “grande história nacional” aprendida.
A certidão de nascimento de Valinhos é a Carta de Sesmaria concedida ao sesmeiro Alexandre Simões Vieira, em 1732. E na ausência de um pai biológico e fundador da cidade, e num desses arranjos historiográficos, o imigrante italiano Lino Busatto, ao qual se credita a introdução do “Figo Roxo” em Valinhos, é o nosso pai do coração.
Valinhos (antigo bairro de Campinas), segundo escreveram, teve grande impulso após ser (umbilicalmente) ligada à Jundiaí pelos trilhos da ferrovia, por onde era transportado o café até o Porto de Santos e de lá para o mundo. E que a pujança da produção agrícola cafeeira somente aconteceu …

Quedou-se inerte

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Em Junho de 1935, num recém-inaugurado loteamento em Campinas, aconteceu uma prova automobilística que ficou conhecida como a “Volta do Chapadão”, vencida pelo jovem e promissor piloto Francisco Landi, que recebeu 10 contos de réis e um terreno naquele loteamento. Entusiasmado com o sucesso dessa prova, José Sampaio Freire organizou uma nova corrida automobilística para o mês de Outubro daquele ano, batizada “Circuito Vallinhos-Campinas”. A imprensa paulista e carioca repercutiam esse evento que impulsionaria o automobilismo como esporte. Alguns azes do volante, segundo noticiavam, estavam inscritos com suas velozes máquinas: Alfredo Cuccilo (Ford V-8), Antônio Sorrentino (Alfa-Romeu), Adolfo Martelli (Bugatti), Del Nero (Crysler), João Barbosa (Ford V-8), Mario Carotta (Ford V-8), Tavares de Moraes (DeSoto), Vicente Hugo (Crysler). Comentava-se também das prováveis participações de Manoel Teffé, Marques Porto, Chico Landi, além do piloto polonês Carlos Zatuszeck, vencedor das 500 mil…

Dedicatória

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No final daquela sexta-feira, como de costume, as amigas Cecília e Olga partiram para mais uma caminhada pelas ruas do bairro. Um dia de frescor soprado pela brisa vinda do mar e um sol mais tímido que o de costume. No lento passo das companheiras, as conversas alegravam os olhos naquela costumeira paisagem.  Acenavam para alguns antigos conhecidos pelo caminho, todos se locomovendo no mesmo passo do tempo, que os deixavam mais próximos da condição humana.
Por aquelas ruas, vendedores se esforçavam nos seus bordões na esperança de findar o dia com alguns víveres para dentro de suas casas. Na Rua Conselheiro Lafaiete, antigo endereço do nosso poeta maior, vendedores de livros de segunda mão expunham centenas de títulos por longo trecho de calçada. As amigas encurtavam o passo e por vezes paravam para saborear autores que seus olhos já cansados pudessem alcançar. Muito desses que ocupavam aquele trecho de caminho, um dia foram leitura dessas amigas. Ao se reencontrarem com seus velhos c…

Quando o apito...

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No início de 2015, convivemos com a notícia do fechamento do Clube da Rigesa, em nota, a empresa afirmou que o alto custo de manutenção e o baixo número de sócios levaram a essa “difícil” decisão. Dois anos depois outra notícia bomba caiu sobre a população valinhense, e dessa vez, quem deixará a cidade definitivamente é a própria Rigesa. Sua planta produtiva será transferida para outra cidade, devido “à falta de condições para o crescimento e expansão da fábrica que está localizada no centro da cidade”.
Centenas de comentários nas redes sociais para a notícia e muitas críticas pela falta de planejamento da cidade, que não se preparou para abrigar ampliações de plantas produtivas já existentes e outras que pudesse aqui se estabelecer. Porém, os interesses imobiliários especulativos, aqui faz morada. Com a saída dessa empresa todos nós perderemos. A ausência dos seus impostos em breve serão sentidos e ainda mais na saúde, na educação, no comércio, nos serviços, etc.. Mas ainda nos resta …

Manhãs de Setembro

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Aquela manhã que antecedia em alguns dias o feriado da Independência foi marcada por reunião pedagógica naquela instituição de ensino. O debate entre os professores foi interrompido pela campainha. Um momento de pausa para esticarem as pernas e darem um descanso nos pensamentos. Seguiram pelo longo corredor que separava o auditório da área de descanso.
Acomodaram-se nas duras cadeiras daquele ambiente e entre um café e umas bolachas outras conversas nasciam. Um pequeno grupo de educadores continuava elaborando outras ideias para o debate pausado, e uma colega recém-contratada pela Secretaria da Educação ouvia atentamente.
Num instante de silêncio a professora entrou na conversa e disse que sobre aquela questão tinha algo importante a dizer, e o grupo se pôs a ouvi-la. Disse que na sua graduação aprendeu que toda palavra terminada em "ismo" é doença: homossexualismo, capitalismo, consumismo, comunismo, patriotismo...
Alguns professores buscaram nos seus pares a cumplicidade n…

A morte foi uma festa?

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Em Junho de 1907, um jornal paulistano informava que a Câmara Municipal de Campinas autorizou a criação de um Cemitério no vizinho povoado de Valinhos. Em 1911 foi promulgada lei pelo executivo campineiro autorizando a construção. Dois anos depois, em fevereiro de 1913 a prefeitura era notificada pela Comissão Sanitária que o terreno “presta-se para o fim que se destina”. Em março as obras começaram e anunciava-se o dia 24 de Junho a inauguração do Cemitério. 
A estação ferroviária de Valinhos dava o tom do crescimento daquele núcleo urbano. Até o mês de outubro de 1909 já haviam sido embarcadas 06 mil sacas de café, podendo chegar até 10 mil sacas ao final daquela safra. Sua importância econômica era destaque “poucas estações da Paulista terão tão grande movimento”.

Em 1888, ano que ocorreu a abolição oficial da escravidão, as fazendas produtoras de café em Valinhos atraíram 1842 imigrantes europeus: italianos, portugueses, espanhóis, alemães e austríacos, conforme dados da imprensa ca…

4 x 1

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Amaro da Conceição decidiu deixar sua terra natal lá nos confins do interior paraibano. Cansado da exploração dos coronéis, da seca, da fome e da morte, vizinha da pobreza, sonhou a terra prometida no sul do Brasil. Plantado na beira da estrada empoeirada assistia os últimos instantes do gado agonizando enquanto esperava a chegada do pau de arara. Na trouxa levava uma muda de roupa e uma rede de dormir. Segurando firme no guarda corpo do caminhão, saltou pisando firme naquele tablado paupérrimo e lá se foi carregando no coração imensa saudade. 
Após 10 dias sacolejando desembarcou na capital fluminense, arranjando abrigo no Morro do Adeus. Labutou como estivador, gari e pedreiro. O trabalho e aprendizado na construção civil o levaram para algumas dezenas de cidades do interior em busca do pão. 
Homem de caráter firme e têmpera forte correu trecho pelo interior do país. Seu olhar atento compreendeu que as pessoas poderiam ter uma vida mais digna se houvessem mudanças nos hábitos de gov…

Que fim levaram todas as flores?

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Durante anos dona Leocádia fez quase tudo sempre igual. Saia da cozinha segurando um canecão com água fervida despejando-o numa bacia de ágata, acomodada sobre um tapete de juta no chão do quarto de banho. Num dos cantos do cômodo uma cadeira antiga aguardava aquele corpo exausto. Misturava na água sabão de cheiro, alecrim, arruda e massageava seus pés depois de um longo dia indo e vindo dos afazeres da casa. Feito seu ritual noturno, os enxugava com toalha de algodão branco com fios trançados na franja. Vestia sua roupa de dormir e acomodava seus pés num macio chinelo forrado com lã Merino, presente do seu primogênito, e seguia em direção ao quarto de dormir.
Sentava-se na beira da cama, pertinho da janela e abria o seu livro sagrado. Elevava seus pensamentos ao altíssimo e com a voz baixinha rezava pelos seus entes queridos. Fazia oração especial para o seu filho e ficava ali entre tantas lembranças, em transe. Fechava o livro, beijava-o, acomodando-o sobre a cama. Com o terço entr…

Os invisíveis

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A rua sempre foi pública. Talvez, no passado, ela tenha sido até mais pública que nos dias de hoje. E por aquelas vias circularam dezenas de diferentes sujeitos. Pedintes, vendedores ambulantes, artistas de circo anunciando estreia, homens vendendo a salvação. 
Um desses “comerciantes da salvação” era de um grupo de moços, vestidos com seus terninhos, todos com o cabelo raspado e pedia para entrar nas nossas casas, benzendo-as com a imagem de uma das Nossas Senhoras. Além da imagem que carregavam, os acompanhavam umas bandeirolas vermelhas bordadas com a figura de um leão. E bem ao gosto medieval. Garantia-se assim, que a pátria brasileira não seria importunada pelo comunismo.
Outros tipos perambulavam e batiam palmas de casa em casa, anunciando suas presenças. Um deles eram mulheres com crianças no colo, apresentando-se maltrapilhas, quase todas com uma ferida exposta numa das suas pernas e esmolando uma “ajudinha pelo amor de Deus”. 
De todos que circularam por aquela pública cidade…

Os segredos dos construtores

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Um vídeo caseiro, desses que nós fazemos para registrar situações curiosas e inspiradoras do nosso cotidiano, circula pela rede social Facebook. Nele, um pai reboca uma casa e o enfoque dado é para o seu filho, um garoto entre oito a dez anos de idade, chapando massa na parede. Além de ajudar o pai no trabalho o menino também está começando a aprender um ofício. 
Meu pai foi pedreiro. Aprendeu a atividade com Domingos Ciotto e seus irmãos Ourides, Raul e Velasco, os construtores da casa dos meus avós Vitaliano e Ermelinda, na Rua Ângelo Capovilla, no início da década de 50. Saídos do mundo rural para a vida urbana, meu avô percebeu ali a oportunidade para o seu filho mais velho capacitar-se numa profissão, sem se submeter a um patrão. Qualificou-se no exercício do fazer e construiu dezenas de casas proletárias na periferia valinhense nas décadas de 50 e 60. Em 1967 abandou essa profissão ao ser tragado pela fábrica, afinal, seus filhos cresciam e precisavam de assistência médica e odo…

Cheiro da nova estação

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E lá veio dezembro para dar fim nesse ano de 2016. Conturbado e mais cheio de baixos que altos nessa nossa nação brasileira. Costumeiramente, salvo alguns deslizes, um mês para estampar a esperança no novo que se aproxima. 
Mas a surpresa nos reservou um aborto vindo do céu, e a tragédia se fez coletiva. O aborto também nos surpreendeu quando o ferreiro das palavras despediu-se da têmpera poética. 
Ídolos da massa, massificada por um sentimento de dor coletiva, vimos a esperança depositada numa juventude do nosso país esvair-se na imbecilidade de sujeitos preocupados com o acumulo de “la plata”, quando deveriam terem sido cingidos pelo respeito, tal qual desejou Viracocha Pachacaiachi*. 
As madrugadas, outrora inspiração dos poetas e boêmios, agora usurpados da criação, das belezas contidas nas melodias que encantaram gerações, e transformadas na condição sorrateira das maldades por maldosos. Sujeitos, que em tese, deveriam ser portadores da ética e construtores dos fios condutores de…

Além do figo roxo

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Acordei numa manhã de chuva fina, tragado por uma obra do artista Marcos Guimarães, que emoldura a Câmara Municipal valinhense. Descobri que o Olimpo é mais perto do que sempre imaginei. Assistia a uma partida de xadrez de lances estranhos, sem muito estudo, desse ou daquele outro deus. A partida entediava e do Olimpo descobri a polis lá embaixo, habitada por alguns semideuses e milhares de mortais. Passo a investigá-la. No horizonte avistei enormes plantações de cana de açúcar e muitos negros trabalhando sob um sol escaldante e chibatadas que por vezes feriam um ou outro. Vejo o feitor, homem embrutecido que avança sobre uma criança, seu pai abandona o árduo trabalho e trava luta com o feitor, senhor dos castigos e malvadezas. Defendendo sua filha, o negro da uma “piuvada” com a enxada na cabeça do agressor, que tomba inerte. O escravo foge e pega caminho em direção da cidade de São Paulo e ali se entrega ao delegado e após processo é absolvido. Esse caso ficou conhecido, por volta d…

"Repara bem no que não digo" Paulo Leminski

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Joga as casas pra lá, joga as casas pra cá, faz caringundum

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No último dia 06 de Agosto de 2015 comemorou-se os 105 anos de nascimento do poeta compositor Adoniran Barbosa. No Districto de Vallinhos nasceu João Rubinatto, filho de imigrantes que deixaram a Itália no final do século XIX em busca de trabalho e felicidade. O Brasil foi destino para milhares de homens, mulheres e crianças. Apesar do trabalho nas lavouras de café a vida foi difícil para essa brava gente. Grupos familiares se deslocavam saindo de áreas rurais e buscando melhores condições em regiões urbanas. João Rubinatto e sua família foram se deslocando de cidade em cidade até chegarem a capital paulista.  O compositor e sambista Adoniram Barbosa nasceu da poesia cotidiana que a cidade de São Paulo produzia com a sua rápida industrialização e transformação urbana. Essas mudanças atraíram para essa cidade uma massa de trabalhadores oriundos de várias regiões brasileiras. O olhar atento de Adoniram traduziu em delicadas linhas, sambas que nos mostravam a cidade paulistana com seus …

Reinvenção

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A vida só é possível reinventada.
Anda o sol pelas campinas e passeia a mão dourada pelas águas, pelas folhas… Ah! tudo bolhas que vem de fundas piscinas de ilusionismo… — mais nada.

Mas a vida, a vida, a vida, a vida só é possível reinventada.
Vem a lua, vem, retira as algemas dos meus braços. Projeto-me por espaços cheios da tua Figura. Tudo mentira! Mentira da lua, na noite escura.
Não te encontro, não te alcanço… Só — no tempo equilibrada, desprendo-me do balanço que além do tempo me leva. Só — na treva, fico: recebida e dada.
Porque a vida, a vida, a vida, a vida só é possível reinventada. ____Cecília Meireles
Imagem: Uma menina descansa em uma pilha de flores descartadas de um mercado, um dia após as celebrações de Diwali em Mumbai, na Índia, em 31 de outubro de 2016. - Shailesh Andrade/Reuters

Os meninos

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Raciocínio barato

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O debate entre os professores foi interrompido pela campainha. Um momento de pausa para esticarem as pernas e darem um descanso nos pensamentos. Seguiram pelo longo corredor que separava o auditório da área de descanso. Acomodaram-se nas duras cadeiras daquele ambiente e entre um café e umas bolachas outras conversas nasciam. Um pequeno grupo de mestres continuavam elaborando outras ideias para o debate pausado, e uma colega nova, recém contratada pela Secretaria da Educação, ouvia atentamente.
Na primeira oportunidade a professora entrou na conversa e disse que sobre aquela questão tinha algo importante para falar. O grupo silenciou e se pôs a ouvi-la. Disse que na sua graduação aprendeu que toda palavra terminada em "ismo" é doença. Homossexualismo, capitalismo, consumismo, socialismo, comunismo, catolicismo...
Alguns professores buscavam nos seus pares a cumplicidade no olhar. E após a fala da professora um instante de silêncio reinou naquele ambiente. Mesmo os outros grupo…

Pauta reivindicatória do formigueiro

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O chorinho do Zimba anunciando sua caminhada matinal me desperta. Ele todo pimpão, eu todo embaçado e perdido entre um pé do chinelo e a porta do banheiro. Retorno. Ração, água e um agrado para selar a nossa relação de companheirismo.
Lavo uma e outra louça amanhecida de um jantar rápido na noite anterior. Fogo ligado, água no canecão, pó de café no coador, sol entrando pelo vitrô da cozinha... aguardo a mistura. Domingo manso que se inicia. Sobre a mesa uma xícara, dessas grandes, e uma caprichada colher de açúcar. O beijo tem que ser doce, baby. Ali num canto da mesa, coberto por um guardanapo, pedaços de pão doce. Assim vou deixando o bucho e as bichas mais satisfeitos. Mastigo lentamente, e na mesma proporção dessa macia mistura os açúcares vão juntando-se e dando outros significados nos meus sentidos.
A mansidão matinal é vigiada pelo olhar atento do Zimba. Meu olhar que ainda desperta, flagra uma procissão de miúdas formiguinhas em passeata. Reivindicam micros nacos dos diferentes…

A rua que não foi

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Campinas amanhecia absorvida por densa névoa naquelas manhãs de outono. A noite cuidava e recolocava corpos descansados para outro dia de labuta nos cafezais. A escravidão e a monarquia caiam no papel, apesar das suas amarras serem sentidas vez por outra nas diárias relações republicanas. 
A locomotiva cuspia fumaça, silvos longos avisavam moradores da sua vinda com seus vagões recheados de riqueza material e um imaginário de modernidade, vivido pouco mais de um século antes em algumas nações da Europa, com as revoluções Francesa e Industrial, “exalando seus ventos para o mundo”. A luz do sol revelava um infinito mar verde na retina daqueles sujeitos, braços para o café, portadores de outra memória e tendo a nova paisagem para ser compreendida e dominada. 
Na primeira década do século 20, terras cansadas foram fracionadas em pequenos sítios no Distrito de Valinhos, e compradas por imigrantes. No dia 06 de Março de 1914, o “Jornal Español”, destacava que a pomicultura por aqui era uma …

“Pirãozinho & Mocotó”

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O homem ziguezagueava pelas ruas do bairro. Estufava o peito e com sua voz rouca e inconfundível soltava a todos os pulmões seu cântico de anunciação: “é a cortina, cortina, cortineiro... é a cortina, cortina, cortineiro...”. No seu ombro direito um feixe de cortinas, varões de madeira com dezenas de longos fios de plástico coloridos amarrados numa trama que dava gosto de ver. Equilibrava a sua carga diária com o auxílio da sua mão direita. Dizia que suas cortinas “eram excelentes na porta da cozinha”, evitando que as moscas mais insistentes pudessem entrar naqueles ambientes assépticos do preparo e da comilança. 
E lá vinha o sorveteiro com sua caixa de isopor presa por uma fita pendurada no seu ombro transpassando pelo peito, a sonora emitida com sua gaita era a senha para pegarmos dois ou três tostões e comprarmos pequenas barras de gelo com sabor. Nossos olhos brilhavam na eminência de nos refrescar a sombra de uma mangueira naquelas tardes empoeiradas de verão. 
Dos bairros oper…